|
CAIS: Participação na edição nº 100 |
O texto com que participo na 100ª edição da Revista CAIS não foi escrito de propósito para a ocasião mas sim, o entender que a sua mensagem, ou a sua agonia, caso se prefira chamar-lhe isso, se adequavam perfeitamente ao desafio da CAIS. Neste texto, abordo o silêncio como o espaço intransponível entre o sentimento e a palavra formulada sobre esse sentimento. É uma problemática recorrente, uma procura tão antiga como a própria escrita quando, em última análise, toda e qualquer palavra é sempre uma redução de um sentimento, de uma ideia, revelando assim a impossibilidade de uma verdadeira comunicação. Segue um pequeno excerto do meu texto, de título «dizer-te»: «Carrego em mim uma palavra imensa. É uma palavra avassaladora, uma palavra devastadora. É uma palavra que não sei pronunciar. É uma palavra para ti. Entre nós fica o silêncio que essa palavra não consegue transpor. Vivemos nesse silêncio, um espaço contido e vazio, o imensurável árido em que duas pessoas não conseguem falar. E nem eu precisaria que falasses, bastaria que ouvisses esta palavra que te quero dizer. Bastaria essa única palavra erguer-se singular na minha voz, atravessar o silêncio, escoar-se na treva funda dos teus ouvidos.» |