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CAIS: Participação na edição de Maio/Junho, nº98 |
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Escrever para um trabalho fotográfico é um desafio
aliciante. Diz-se que uma imagem vale por mil palavras. Como escolher
então as palavras que não se encontram entre essas mil?
Foi essa a minha premissa: não explicar as fotografias, não ecoar as
histórias que as imagens já contam perfeitamente bem por si, procurar
antes um outro plano, por vezes, dissonante até daquele que os olhos
nos relatam. Procurar uma segunda realidade que não se sobreponha à
primeira mas que se encontrem apenas tangencialmente.
E como escrevi no texto de introdução, «vivo esta cidade de dentro,
debruço-me sobre os meus olhos como uma objectiva tremenda, desfoco
toda a cidade que existe fora de mim e concentro-me apenas no que sou
neste espaço, na orgânica total e concreta que se fecha dentro de mim.
É como um instante que se desenrola até à eternidade, uma fugacidade
suspensa no tempo, a materialização furibunda do infinito».
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